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são as ruas em paralelo, passeios sujos, gatos vadios que se escondem debaixo dos carros, gaivotas à procura de comida e muitas pombas. O Porto da minha memória nunca vai ser um Porto feliz, cheio de vida e cor. O Porto que me fica é um Porto esquecido, velho, que quer acreditar mas já não tem forças para isso… Sim, há casas lindas, restauradas ou mesmo novas, lugares fabulosos, cafés, lojas super modernas e cosmopolitas… mas lado a lado com a senhora que vende jornais e não fala de outra coisa senão da crise e do passado que era bom, dos velhos enrugados, curvados, abandonados que se arrastam amargurados nas ruas e vivem debaixo de tectos a cair de podres, com uma reforma miserável…

O Porto que se quer novo não consegue livrar-se do peso, um peso que vem de trás, de séculos de história, de lutas muita vezes inglórias, um peso de quem não acredita que valha a pena. Por mais que as ruas da Galeria de Paris soltem gargalhadas, pulem de alegria e gritem de garra e juventude, não conseguem esconder a tristeza do rosto das suas gentes, a falta de sorrisos lindos e olhares de esperança.

Confesso que me apaixonei pelo Porto à primeira vista… e há mais de 5 anos que dura este amor que certamente vai ser eterno. E fui descobrindo que o sorriso triste não era do momento mas sim da alma. Venham as gaivotas chorar no Douro, as pombas pedir migalhas nos Aliados, os clientes mexer Santa Catarina e os artistas levantar Miguel Bombarda, que o Porto das gentes amarguradas há-de, um dia, soltar-se das suas amarras!