
Olhar para o chão, deixar a poeira esconder a cor dos sapatos, enterrá-los na lama, senti-los a escorregar e a arrastar o corpo. E vou cedendo, caindo, sob o peso do meu próprio corpo. É assim a vida.
Não apenas. Sobretudo não. E não pode ser. Resistir. Não é desistir. Não é lutar para não cair, como sacrifício, como obrigação. Até podemos cair, sujar-nos, fazer feridas que deixam cicatrizes. Dói mas passa.
E é quando a dor acalma, quando a ferida deixa de sangrar que a cabeça pode levantar um pouco, primeiro ao reparar que afinal é dia e o sol brilha, bem por cima da nossa cabeça e ao levantá-la, eis que um mundo novo começa a abrir-se, com novas cores, brilhos, odores… É nesse horizonte que se nos revela, que também nos abrimos à descoberta, ao auto-conhecimento, a outros caminhos e formas de felicidade. É esta beleza, o encanto da vida. A vida é também assim.