

Quinta dos Olhos d’Água




Tudo indica que foi um projeto de reabilitação destinada à sede do Parque Natural de São Mamede, envolvendo a concepção de um centro de turismo da natureza. Mas nada indica o que aconteceu à Quinta dos Olhos de Água, em Portalegre. Na página do Município do Marvão diz que “Localizada no concelho de Marvão e propriedade do ICNF, a Quinta dos Olhos d’Água tem uma importância determinante para o Alto Alentejo, enquanto local de características únicas e com grandes potencialidades do ponto de vista turístico, ambiental e formativo”.
Apetecia-me falar muito sobre isto mas as imagens dizem tudo sobre o atual estado das coisas por aqueles lados.



Agora que a chuva cai lá fora e me aconchego numa manta, apetece-me falar da praia e do verão. Acontece-me todos os anos. No verão olho para a paisagem e não consigo imaginá-la com chuva ou neve. E depois, no inverno, o contrário. Tento forçosamente imaginar o calor entre o sobretudo, as luvas, as botas e o cachecol.
Às vezes gostava de ser como essas mulheres que planeiam cada pormenor de cada estação, cada tipo de bota ou sapato, camisola ou casaco, com as respectivas variações dos nomes que me escapam porque uma camisola é, sempre foi e sempre será uma camisola, mais fina ou mais grossa, mais leve ou mais pesada, é uma camisola!! Mas admito que possa ter outros nomes.
O que me inveja nessas mulheres é a segurança com que defendem as cores da moda, a combinação dos adereços e os inúmeros produtos de maquilhagem. Fazem-no tão naturalmente que até me sinto envergonhada em perguntar onde aprenderam aquilo tudo, se existe algum curso para que eu também possa tentar aprender. Mas não me parece, é inato, nasce com elas por isso cresce ainda mais a minha inveja.
De inveja em inveja, arrumei este ano o meu biquini e comprei um fato-de-banho. Saltei para água e esqueci-me o que era de tão relaxada que estava. Será que elas também relaxam assim ou continuam stressadas com o cabelo que se enruga com o vento ou outra coisa qualquer?
Um dia ofereceram-me um vestido que salientava a minha barriguita. Gostava do vestido mas não o usava porque alguém me disse que me ficava mal por causa da curva da barriga. Um dia, uma criança de 8 anos disse-me no seu tom mais seguro:
Já andava para aí virada mas desde esse dia passei a confiar as minhas dúvidas estúpidas às crianças, ou seja, em caso de dúvida, fala com uma criança até porque se elas gostarem de ti e não quiserem nada em troca vão ser mesmo sinceras, mesmo quando te dizem que precisas de fazer exercício físico.
Não há inveja que compense a gargalhada que vem lá do fundo e volta sempre que nos recordamos do momento em que surgiu. E não há inverno que compense os dias longos de verão.