Logo hoje que nem queria vestir vermelho

Imagina que tens de estar num determinado local a determinada hora. Pelo caminho apanhas chuva, trânsito e aselhas. Depois demoras 20 minutos a entrar no parque de estacionamento e só consegues lugar no último piso: -7

Esperas mais 15 minutos pelo elevador, porque achas que é mais rápido e só ele te pode salvar do atraso mais do que certo. Lá chegas e as coisas até correm bem e rápido. Até te dás ao luxo de tomar um café.

Regressas ao parque e pões o papelinho. Não dá. Viras e reviras e continua a não dar. A senhora atrás de ti pede para passar e consegue. Voltas a tentar e não dá. A outra senhora atrás de ti consegue. O segurança diz que já resolveu e podes arriscar novamente. Ouve o barulhinho da leitura e vês no ecrã: leitura impossível. Voltas a carregar no botão que chama o segurança, ninguém te responde. Procuras as outras máquinas e todas passam a estar fora de serviço. E nestes entretantos passam 20 minutos. Voltas à máquina inicial e ouves no altifalante: “a senhora de blusa vermelha o que quer?” E a fila que se amontoou para a olhar para ti. Voltas a tentar e consegues! Ufa!

Já a pensar nos planos seguintes toda animada, pego no carro e faço-me à vida. Tão atenta que estava na vida que ao sair do parque me vejo na faixa contrária, só porque um veículo estava na minha direção. E novamente tudo a olhar para mim. Logo hoje que nem queria vestir vermelho.

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dieta e pizza

 

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Ninguém merece. Acordar às 6h30, apanhar 2 horas de trânsito até Lisboa (uma delas só em Lisboa), saltar de sala em sala com os sacos de material às costas e o pc e as colunas… Passar o dia entre bebés e crianças até aos 10 anos até a paciência torrar. E depois aqueles dias que nem eles se aguentam a si próprios. E nem tu paras de pensar na pilha de roupa que tens para passar, a cozinha para limpar, o frigorífico à espera que passes no supermercado, os emails por abrir e telefonemas por retribuir.

Ninguém merece fazer dieta nestas condições. Não vale o argumento de que só almoças uma sopa e mais qualquer coisinha. É sexta-feira e o dia ainda vai a meio. Foi uma semana sem feriados. A alface do supermercado estava murcha e inapta para salada. Estou cansada, rabugenta, stressada e todas essas coisas que só nós, mulheres, entendemos. Aí chega o monstro a falar ao ouvido sorrateiramente enquanto procuramos um cantinho para almoçar no shopping: “aquele ali tem pouca fila e vê que cheirinho bom –  tem comida italiana!”

Estás a argumentar ruidosamente com essa voz e vais andando sem rumo até que quando cais em ti já estás na caixa a pedir uma pizza. Ninguém merece sofrer por gostar de comer. Ninguém merece abdicar de mimos que apesar de nos pesarem no corpo, nos alegram a alma!

 

dieta e batatas fritas

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A combinação perfeita: dieta e batatas fritas! De nada adiantam os sumos detox, as sopas e saladas, os chás drenantes e as coisas light. Tudo se perde no convite de duas crianças, as mais importantes do mundo, para ir almoçar ao Mac.

Até nem tenho apetite mas ele regressa desenfreadamente como se estivesse preso naquele plano apertado e asfixiante. E a partir do momento em que me rendo à primeira batata, logo se abre esse monstro da gordura. E já que estou por que não uma coca-cola, um geladinho, pronto, pacote completo.

Já que se perdeu mais um dia da dieta, da luta inglória de todos aqueles que têm peso a mais a par de uma gulodice sem medida. Dizem que felicidade engorda. Se comer bem nos dá prazer, já temos uma forma de felicidade, não obstante o corpo não caber nas roupas que queremos… Enfim, não se pode ter tudo.