sumos detox

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Os sumos detox ou saudáveis ou multivitamínicos são a grande invenção para quem não morre de amores por sopa. Claro que há as saladas e eu até gosto muito mas no verão o que sabe bem é mesmo beber algo fresquinho, algo que dê para guardar no frigorífico e ainda acrescentar várias pedras de gelo.

O problema é que não tenho vida para fazer as coisas como mandam as instruções. Nem eu nem a maioria das mulheres que tem montes de coisas a fazer. Por isso aqui vai o meu critério de como fazer um sumo desses…

1 – ver o que há no frigorífico

2 – pegar em tudo o que há no frigorífico e cortar/descascar um pouquinho de cada

3 – ver o que há no armário em termos de sementes e juntar uma colher de cada uma dessas coisas

4 – misturar tudo com uma boa dose de água

5 – beber aos poucos de acordo com a coragem que a sede dá

Na foto está o meu último sumo que contém: beterraba, melancia, banana, maçã, inhame, gotinhas de limão, aveia, chia e linhaça. Esqueci-me de colocar gengibre e não pus pêssego nem tomate porque achei que podia ficar demasiado vitaminada.

Logo hoje que nem queria vestir vermelho

Imagina que tens de estar num determinado local a determinada hora. Pelo caminho apanhas chuva, trânsito e aselhas. Depois demoras 20 minutos a entrar no parque de estacionamento e só consegues lugar no último piso: -7

Esperas mais 15 minutos pelo elevador, porque achas que é mais rápido e só ele te pode salvar do atraso mais do que certo. Lá chegas e as coisas até correm bem e rápido. Até te dás ao luxo de tomar um café.

Regressas ao parque e pões o papelinho. Não dá. Viras e reviras e continua a não dar. A senhora atrás de ti pede para passar e consegue. Voltas a tentar e não dá. A outra senhora atrás de ti consegue. O segurança diz que já resolveu e podes arriscar novamente. Ouve o barulhinho da leitura e vês no ecrã: leitura impossível. Voltas a carregar no botão que chama o segurança, ninguém te responde. Procuras as outras máquinas e todas passam a estar fora de serviço. E nestes entretantos passam 20 minutos. Voltas à máquina inicial e ouves no altifalante: “a senhora de blusa vermelha o que quer?” E a fila que se amontoou para a olhar para ti. Voltas a tentar e consegues! Ufa!

Já a pensar nos planos seguintes toda animada, pego no carro e faço-me à vida. Tão atenta que estava na vida que ao sair do parque me vejo na faixa contrária, só porque um veículo estava na minha direção. E novamente tudo a olhar para mim. Logo hoje que nem queria vestir vermelho.

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dieta e pizza

 

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Ninguém merece. Acordar às 6h30, apanhar 2 horas de trânsito até Lisboa (uma delas só em Lisboa), saltar de sala em sala com os sacos de material às costas e o pc e as colunas… Passar o dia entre bebés e crianças até aos 10 anos até a paciência torrar. E depois aqueles dias que nem eles se aguentam a si próprios. E nem tu paras de pensar na pilha de roupa que tens para passar, a cozinha para limpar, o frigorífico à espera que passes no supermercado, os emails por abrir e telefonemas por retribuir.

Ninguém merece fazer dieta nestas condições. Não vale o argumento de que só almoças uma sopa e mais qualquer coisinha. É sexta-feira e o dia ainda vai a meio. Foi uma semana sem feriados. A alface do supermercado estava murcha e inapta para salada. Estou cansada, rabugenta, stressada e todas essas coisas que só nós, mulheres, entendemos. Aí chega o monstro a falar ao ouvido sorrateiramente enquanto procuramos um cantinho para almoçar no shopping: “aquele ali tem pouca fila e vê que cheirinho bom –  tem comida italiana!”

Estás a argumentar ruidosamente com essa voz e vais andando sem rumo até que quando cais em ti já estás na caixa a pedir uma pizza. Ninguém merece sofrer por gostar de comer. Ninguém merece abdicar de mimos que apesar de nos pesarem no corpo, nos alegram a alma!

 

dieta e batatas fritas

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A combinação perfeita: dieta e batatas fritas! De nada adiantam os sumos detox, as sopas e saladas, os chás drenantes e as coisas light. Tudo se perde no convite de duas crianças, as mais importantes do mundo, para ir almoçar ao Mac.

Até nem tenho apetite mas ele regressa desenfreadamente como se estivesse preso naquele plano apertado e asfixiante. E a partir do momento em que me rendo à primeira batata, logo se abre esse monstro da gordura. E já que estou por que não uma coca-cola, um geladinho, pronto, pacote completo.

Já que se perdeu mais um dia da dieta, da luta inglória de todos aqueles que têm peso a mais a par de uma gulodice sem medida. Dizem que felicidade engorda. Se comer bem nos dá prazer, já temos uma forma de felicidade, não obstante o corpo não caber nas roupas que queremos… Enfim, não se pode ter tudo.

Não temas. Estás contigo.

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Sonhava, abria os olhos e voltava a sonhar. A realidade era fria, pesada, amarga. Criar uma ilusão, uma vida imaginária para fugir do que via, sobretudo do que sentia. Mas a sombra da realidade era mais forte do que a luz frágil da fantasia. Abrir os olhos e ver a sombra, olhá-la nos olhos. Aterrador. Ou vives o que és ou não vives, apenas finges e a acabas por ser profundamente infeliz, sem saber já o que és, muito menos o que queres.

Não há receitas, todos os conselhos parecem certos e errados. Ninguém te conhece, nem tu mesmo. Até que decides ouvir-te, conhecer-te, descobrir o que está para além dessa sombra que de apaga, que te consome. Dói. Mesmo muito. Dói saber que não és o que achavas que eras, que não és o que tentaste ser, que as tuas qualidades não são aquelas que os outros elogiam e aquelas que deves ter parecem-te estranhas, não se enquadram nessa imagem que criaste inconscientemente. Dói não quereres mais isto nem aquilo. Não quereres mais estar com esta ou com aquelas pessoa. Dói não te reconheceres. Dói perceberes que tens de começar do zero, que tens de mexer nas entranhas para te encontrares. Dói sentires que as pessoas também não te reconhecem e que não se preocuparam em te procurar lá no fundo porque a superfície era-lhes agradável.

Na bagagem que fazes, acabas por deixas muita coisa para trás, coisas que antes te eram insubstituíveis e agora nada te dizem. Depois vem o medo. Medo do que vai ser, medo do que vais encontrar dentro e ti como vais gerir isso tudo, como vais deixar fluir esse eu.

Porém, o medo não faz parte do teu eu. Assim como outras tantas coisas. Não entram nos teus ouvidos o que os outros dizem, não te ferem as críticas destrutivas, não te vergas perante os obstáculos. Descobres que és mais forte do que a superfície que eras e não te deixas esmagar pela sombra, porque ela não te incomoda, apenas te alerta quando te desleixas.

Não sabes para onde vais nem te importas com isso. De que vale o que vem se te tens a ti, se ganhaste a certeza de que nunca te vais abandonar porque tu és o mais importante, a única coisa que te pode fazer verdadeiramente feliz.

E nesse apaixonar por ti mesmo, entendes que o sol está sempre lá, que as nuvens servem para animar o céu e dar-lhe movimento. Que sem chuva não haveria arco-íris nem abraços molhados. Que a natureza ganham cores diferentes a cada minuto e em cada verde há milhares de tonalidades. Percebes que os animais falam com os olhos e as pessoas fazem-se entender pelo toque e pelas expressões que tentam esconder. Perdes-te a admirar a vida, o mundo e as pessoas. Não temas. Estás contigo.

E depois?… A realidade supera todos os sonhos e o amor acontece.