Afinal era em cima que estava

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Aprendi a olhar para a frente, sem verificar o que ficou para trás, às vezes olhava para os lados mas achava que não eram para mim, a frente era o caminho. Só assim conseguia seguir. Pensar na luz que me acordava e na noite que me obrigava a descansar. Dia após dia. Por dentro, trazia entravadas as mágoas, as desilusões, o mundo largado no passado e marcado com muitas feridas. Não queria ficar lá atrás, a remoer, a pensar no que foi e no que poderia ter sido. O passado vive das recordações. Se não são boas que mais podemos guardar. Sim, claro, a aprendizagem, as lições, a maturidade. É preciso sofrer para crescer, dizem. Também é preciso ter o coração limpo para se ser feliz e demasiada dor só nos escurece.

Arrastava o passado como uma sina, a prova de tudo é difícil, a cruz que temos de carregar, dizem. Muitas coisas se dizem e também se diz que cada um é que sabe da sua vida. Mas não sabemos. Sentimos, tentamos pensar mas sabemos muito pouco. Desconhecemos se é melhor virar para a esquerda ou para direita, temos dúvidas, somos complexos, achamos que temos de ser felizes com isto ou aquilo e muitas vezes acreditamos que o somos. Quantas vezes queremos coisas incompatíveis, diferentes, opostas. Não sabemos. Fazemos escolhas erradas, não tomamos as decisões certas. Vamos aprendendo alguma coisa pelo caminho.

Foi a olhar para os lados e também para trás e para frente, e para baixo para não perder o rumo dos pés, que me dei conta do que estava em cima. Olhei e vi e senti e tantas outras coisas. Afinal era em cima que estava… Não sei explicar, não sei exatamente o quê. Sei apenas sentir. E é muito muito bom! Se puder tocar, mexer, posso dizer, é ela, a felicidade…