
Os olhos grandes e escuros, pestanas enormes, brilhavam de doçura. Bastava entregar-me ao olhar dele para me sentir acarinhada e compreendida, sem precisar dizer nada. Ele próprio sabia quando eu precisava mais do que uma palavra simpática, ele próprio estendia-me as mãos e abraçava-me com força. E é apenas uma criança.
A energia que lhe emana é poderosa, arranca-me todos os sorrisos, puxa-me pela esperança e pela vontade que às vezes me falta para lutar.
Os anjos até podem estar no céu, mas eu reconheço-os na terra, pelos olhos que nos entram pela alma dentro, pelas mãos que nos abraçam a dor que não queremos mostrar, pelas lágrimas que aquele abraço carinhoso nos engole. Os anjos estão aqui, ao pé de nós…