Olho para o alto, lá em cima e sinto-me tão pequena, minúscula. Basta uma árvore destas para me derrubar e me provar de que nada me serve a minha força quando comparada com a força de natureza ou do destino, o que quer que seja ou se lhe chame. A impotência perante a natureza é atroz. Nada valem as crenças, os sonhos, as confianças e conquistas. Uma árvore destas derruba tudo, não deixa nada para contar a história.
A minha história é vivida entre árvores destas… Não fui ainda derrubada por nenhuma árvore mas já senti muitas vezes o vento a abaná-las, a chuva a molhar-me e fazer-me fria, constipada e arrepiada. Já tremi de medo, já corri na escuridão, escorreguei e embati nos seus tronco. Tive medo de as olhar de frente, de baixo para cima. E já as desafiei.
Foi assim que o sol se escondeu nas nuvens. O céu ficou cinzento e as gotas começaram a cair. O vento soprou e eu, apanhada desprevenida numa tarde de Verão, caí. No chão fiquei, a olhar para árvores, a admirar-lhes a sua altura, a sua imponência. Confesso que não me apetece levantar-me. Estou bem no chão porque vejo agora o quão minúscula sou e que de nada me vale lutar contra a sua força, contra o poder da própria natureza.
