esse parecer que não me engana. de certeza.

Não falam mas parecem comunicar tão bem. Os animais falam pelo movimento, pelo som… parece. Parece que a vida dos outros é melhor do que a nossa. Já diziam os antigos da minha aldeia que cada um carrega a sua cruz e ninguém se livra dela por muito que pareça. Há muito que deixei de acreditar no que parece. E no parecer já muito se vê daquilo que se é. E essa preocupaçao desmesurada com o parecer, com o agradar e sorrir, o dar-se bem e mostrar que se esbanja felicidade.

Esse parecer que não nos engana mais do que a quem quer parecer. Pareceres de enganos, ilusões e pedaços de frustração. O ser será assim tão desprezível, ainda mais do que parecer o que não é e humilhar-se em mostra-se grande quando se é tão pequeno? Que alma é essa que não se pode ver? Que fealdade é essa que se quer esconder?

E os patos, ali tão sossegados, dizem-me que não tenho nada a ver com a vida delees, embora não se importem que eu lhes tire umas fotografias. Parece que estamos mais importados com eles do que eles connosco porque nós somos mais importantes e é dessa importância que nasce o parecer, o querer ser e o parece mal…

Achas que parece mal? Dizia-me ela a cada pergunta. Parece mal a quem? Por isso te deixei nesse mundo dos pareceres com a certeza de que enquanto esse verbo te controlar tu não serás feliz. Nem ninguém.  E não adianta dizerem-me que parece que. Não acredito, de certeza.