Ando às voltas na floresta da vida. Sinto o cheiro das árvores e gosto. Do ar puro e da brisa que baloiça as folhas e toca nos canos. Gosto de ouvir os pássaros e o vento. Gosto da floresta e de caminhar também. Ando às voltas e quase sempre vou ter ao mesmo lugar, ao início. Claro que estou menos fresca e até cansada mas também estou mais leve e relaxada.
Não sei bem o que procuro. Sei mais depressa o que não procuro. Quero aquela paz da alma, do corpo, da mente. Quero ser feliz. E todos os dias penso nisso. E em formas de ser feliz e não saio da floresta. No Inverno dá frio, chove e é tudo muito desagradável. E ultimamente não consigo deixar de ter frio e de sentir o peso da chuva nos meus ossos frágeis.
Gostava de chamar alguém para me aquecer com uma manta e me dar a beber chá quente. Não conheço ninguém nem tenho vontade em procurar, em me lançar à aventura disposta a tudo. Estou velha demais. Descrente e sem esperança como os velhos. Com os ossos a doer e a fazer queixinhas todos os dias, quase a todas as horas.
Quando fui a Serralves passear com a minha amiga Teresa fiquei pasmada de encanto por o mundo existir e eu não dar por nada. Por me fechar no meu canto à espera da próxima tempestade, de facto elas não dão tréguas, e dar o corpo à dor, sem resistência, estoicamente, assim tem de ser. E o mundo lá fora, cheio de encanto, delicioso. E eu incapaz de abrir a porta da minha casa e sair à rua para me deslumbrar, me entregar ao mundo dos encantos.







