Amantes, felizes amantes

Os amantes são evidentes, mas ninguém repara neles. Amantes, felizes amantes, ide viajar, nem que seja nos rios próximos, sede um para o outro um mundo sempre belo, sempre diverso, sempre novo, substituí tudo o que é preciso, desprezai o resto. E mil outros refrões do mesmo género semeados no vento através das tempestades do tempo. Vês todas estas personagens com os seus fatos? Vão estar nus de um momento para o outro, conceder-se tanto prazer e ternura quanto puderem, navegar à vista, sempre alerta, evitar os escolhos, lançar a âncora, voltar a partir de mansinho.

Philippe Sollers, in “A Estrela dos Amantes”