a sombra triste

Vês-me chorar tantas vezes e tanta vezes me recrimino por suportares silencioso as minhas lágrimas. É a tristeza que nasceu e cresceu comigo. É a minha sombra que me segue para todo o lado mas só se vê quando caem as lágrimas. Triste se sou tão feliz. Triste se nunca me senti tão bem, feliz,contente, realizada. Cada sonho traz a esperança de livrar dessa sombra, mas depressa carrega-lhe mais amarras.

Seguro na tua mão como se ela fosse suficiente para me salvar. Sinto no teu abraço a força da felicidade, do amor, dos meus sonhos realizados. Vejo nos teus olhos a luz, a confiança, o tudo vai correr bem.

Enquanto dormes, faço um chá e vou para a janela pensar. Pensar porque nasci triste se sorrio tanto, se faço do optimismo um princípio de vida. Se me sinto perseguida pela sombra triste que me impede de acreditar na vida.

 

uma volta pela minha cidade

Saí de casa para deitar o lixo fora. Finalmente havia sol embora continuasse a precisar do meu sobretudo. Tinha saudades de caminhar, passear pelas ruas da minha cidade sem um rumo certo. Andar, parar para ver uma montra, sonhar com os saldos da minha loja favorita e com as botas pretas de cano o. Suspirar por um cachecol colorido ou uma bolsa nova. Fica para a próxima. Continuo a dizer todos os anos.

Não penso na crise que marcou toda a minha. O que é novo para muitos para mim sempre existiu. Há alturas mais complicadas. Como não conseguir juntar dinheiro para comprar salmão, que gosto tanto. Outras coisas me absorvem e me devoram. Não interessa entrar em pormenores.

Ver pessoas a passear nas ruas da minha cidade. A cidade que não quero deixar para trás, que não quero perder. O eléctrico que vejo todos os dias a passar e que ainda não conheci. Os cafés cheios de histórias e pessoas interessantes. As gaivotas que de boazinhas pouco têm.

O que me move a caminhar na minha cidade? Já não tenho lixo a despejar nem dinheiro para gastar. Por que continuo eu a andar para aqui de um lado para o outro à procura sem procurar. A olhar para a frente, a parar quando me sinto cansada, a regressar a casa quando percebo que já nada há de novo para ver.