música de sangue quente

O sangue corre nas veias, não passa apenas. Corre aos saltos.Vejo o sangue a correr nestas memórias que guardo de vós, da nossa música. Vejo-me a correr na praia, a sacudir a areia com os pés e a mergulhar no mar. Vejo-me a rir em frente a uma mesa rodeada de gente, também a rir. Vejo-me a percorrer ruas desconhecidas sem medo, com a coragem de quem quer viver, capaz de enfrentar todos os pedregulhos…

Correm-me as lágrimas pelo rosto e faltam-me as palavras, toma-me de mim um sentimento de desprendimento da realidade, como se voasse num mundo de fantasia, num sonho de uma criança. É então que surge o oboé e vem o arrepio.

Apertam-se as mãos e acredita-se em energia positiva, na felicidade pura, no sonho real… deliciados com a música que aquece a alma, com toda a lamechice que a expressão contém. É mesmo isso, a lamechice que sabe tão bem quando não sabemos o que dizer e nos deixamos vencer pelo sentimento tão forte que nos impede de pensar. Sentir é tão bom. De que seria a música sem o sentir, sem o fogo que nos incendeia, nos toma e nos controla, sem esse sangue quente e arrojado que nos saltita nas veias… de que seria a música senão a força do sentimento, a força de nós, do que somos e nos deixamos ser…