música de sangue quente

O sangue corre nas veias, não passa apenas. Corre aos saltos.Vejo o sangue a correr nestas memórias que guardo de vós, da nossa música. Vejo-me a correr na praia, a sacudir a areia com os pés e a mergulhar no mar. Vejo-me a rir em frente a uma mesa rodeada de gente, também a rir. Vejo-me a percorrer ruas desconhecidas sem medo, com a coragem de quem quer viver, capaz de enfrentar todos os pedregulhos…

Correm-me as lágrimas pelo rosto e faltam-me as palavras, toma-me de mim um sentimento de desprendimento da realidade, como se voasse num mundo de fantasia, num sonho de uma criança. É então que surge o oboé e vem o arrepio.

Apertam-se as mãos e acredita-se em energia positiva, na felicidade pura, no sonho real… deliciados com a música que aquece a alma, com toda a lamechice que a expressão contém. É mesmo isso, a lamechice que sabe tão bem quando não sabemos o que dizer e nos deixamos vencer pelo sentimento tão forte que nos impede de pensar. Sentir é tão bom. De que seria a música sem o sentir, sem o fogo que nos incendeia, nos toma e nos controla, sem esse sangue quente e arrojado que nos saltita nas veias… de que seria a música senão a força do sentimento, a força de nós, do que somos e nos deixamos ser…

Noite fresca de Verão

Era uma noite fresca de Verão, sentia o vento no meu rosto, um friozinho que quase não me incomodava. Olhava o céu já sem lua e parco em estrelas. Pensava na vida e no que poderia ser a felicidade. Sentia-me feliz muitas vezes mas outras… um vazio, um medo terrível de perder tudo e me sentir um nada, um mísero pó de areia.

Foi com o vento a empurrar o meu cabelo e aquele friozinho  que refrescava os olhos em brasa que caminhei sem destino. Corri as ruas da aldeia com o meu casaco apertado. Não esperava encontrar nada nem ninguém. Pensei que me poderia encontrar mas acho que as respostas não estavam em mim, estavam nos meus passos, nas lágrimas que continha com esforço e na vontade de fugir, de gritar, reclamar com Deus. Claro que Ele não tem culpa. Mas culpa de quê.

Tive vontade de correr, de voar pelo mundo. Estava na minha aldeia, nos caminhos de paralelo que marcaram a minha infância. Eu e a minha terra, a mesma terra com que enterrei o meu primeiro cão e conheci as flores, o cheiro da salsa, os espinhos das roseiras, o sabor único das laranjas de umbigo…

DESPEDIDA (EL AMOR EN LOS TIEMPOS DEL COLERA)

No hay más vida, no hay
No hay más vida, no hay
No hay más lluvia, no hay
No hay más brisa, no hay
No hay más risa, no hay
No hay más llanto, no hay
No hay más miedo, no hay
No hay más canto, no hay

Llévame, donde estés
Llévame
Llévame, donde estés
Llévame

Cuando alguien se va, el que se queda sufre más
Cuando alguien se va, el que se queda sufre más
Cuando alguien se va, el que se queda sufre más

No hay más hielo, no hay,
No hay más viento, no hay
No hay más hielo, no hay
No hay más fuego, no hay
No hay más vida, no hay
No hay más vida, no hay
No hay más rabia, no hay
No hay más sueño, no hay

Llévame donde estés
Llévame
Llévame donde estés
Llévame

Cuando alguien se va, el que se queda sufre más
Cuando alguien se va, el que se queda sufre más

Sufre más…
Sufre más…