Elas andam à solta, por todo o lado, não nos perseguem mas esbarram no nosso caminho. Tocam-nos com luvas de película, limpam os pés na nossa roupa, vomitam o nosso banquete e cospem o nosso vinho e rogam-nos pragas enquanto nos sorriem.
Empurram-nos e fingem que nos estendem a mão. Uma mão de pele e osso, vazia, regada pela acidez de um coração de vinagre. Não sei que sangue corre naquelas veias geladas. Sei que as palavras sabem fel, queimam de tão geladas que são. Com um molho salgado que as tornam ainda mais intoleráveis.
Amargas talvez não. Fantasiosas, seria elogioso. Amargas para quem ouve sim, mas simpáticas para quem as diz, quem vê o mundo por um lupa e muda-a de lugar quando esbarra em algo que não gosta, que não ilumine o mundo perfeito de poder, dinheiro e beleza de fornada.
Só me incomoda ver estragada a paisagem de um belo e alegre dia com figuras que insistem em dizer-nos que o mundo é delas, que só elas na sua mequinhez podem ter o que querem, que só elas são merecedoras da fama que odiamos.