Pagar para fazer chichi

Uma das coisas que me parece jamais aceitar, é pagar para ir a uma casa-de-banho, mesmo que seja só para fazer chichi. Pagar por pagar deviam criar tarifários diferentes de acordo com aquilo que se vai fazer à casa-de-banho.

Na estação de Santa Apolónia, em Lisboa, um local público frequentado por muito boa gente que não possui um jacto privado ou dinheiro em abundância para preferir o transporte aéreo, paga-se para ir à casa-de-banho. Se estiver com diarreia pode gastar um euro ou mais numa casa-de-banho para se libertar de uma necessidade natural e urgente.

Se não tiver dinheiro adequado, procure o multibanco mais próximo, depois vá destrocar numa loja próxima a nota mais baixa e veja se aguenta porque se não tiver a moeda de 20 cêntimos (não dá troco nem aceita cartão de crédito ou multibanco, cheque muito menos) vai-se ver bem aflito. E então se estiver com diarreia, resta-me desejar-lhe toda a sorte do mundo…

E não vale a pena fazer batota porque existe uma câmara de vídeo na casa-de-banho e as senhoras da limpeza são rigorosas na vigilância: “tem de pagar!”imagem-103

O azar de uma urgência de hospital

Viver em Portugal nem sempre é agradável. Às vezes falta o ar puro das montanhas, o verde dos campos, os monumentos lindos das cidades, aquele cheiro a gente simples…

Estou a queixar-me deste cantinho pacato mas acredito que na maior parte dos países do mundo deve ser bem pior!

Ter de assentar numa urgência de hospital é das coisas piores que pode acontecer a um cidadão deste país. Primeiro porque se vamos a uma urgência é porque nos dói alguma coisa, logo não é de todo uma situação agradável. Depois… convém não estar o suficiente mal que não consigo falar, ler ou ver a televisão sintonizada na RTP1. Se não arranjar maneira de se distrair está tramado. Esperam-nos horas de paciência. No minimo espera duas horas para ser atendido.

 Depois de entrar pode continuar a espera. Se tiver de fazer uma simples análise tem de esperar pela enfermeira que fará o serviço e que nesse momento está atarefada com quilos de trabalho, excessivos para uma só pessoa.

Depois reze para que o médico esteja disponível para ver o resultado da análise e, finalmente, o medicar. O médico pode estar a fazer dois serviços, atendimento e internamento, se for de madrugada. Daí que no momento em que precisa dele, ele estará a tratar dos doentes do internamento.

Falo, claro de um hospital pequeno, como, por exemplo, o Hospital de Barcelos. Mas num hospital central como o Sto. António no Porto, a sorte pode não ser muito melhor. O médico espanhol está de serviço há treze horas, parou apenas meia-hora para almoçar, e embora seja simpático não consegue esconder o cansaço excessivo.

Depois de quatro horas na urgência, carimba a receita e, se for madrugada, tem de procurar uma farmácia de serviço que pode não ficar perto de casa. Tenha a sorte, o privilégio de ter carro e não estar sózinha. Por estas e por outras, acho que deviam extinguir as doenças. É melhor trabalhar do que ficar doente, pior, do que ter de precisar da urgência de um hospital.