Hoje não quero meter conversa com ninguém. Quero ficar no meu canto, enrolada nos cobertores, com o aquecedor ligado e uma música de fundo. Quero desligar os telefones e esquecer os compromissos. Quero não cozinhar nem lavar o montão de louça que me espera na pia. Quero fechar os olhos à desarrumação do meu quarto e ignorar o sermão que a minha mãe me diria se entrasse agora aqui.
Não quero falar com ninguém, nem comigo. Desligar o cérebro, apagar as emoções, ser hoje uma máquina, sem humanidade, encostada no canto.
Amanhã ou depois voltaria a ser eu, voltaria ao mundo, como se nunca me tivesse ocorrido não ver nem falar com ninguém.