Não se sabe como foi lá parar, mas todos se lembram de o ouvir. O galo cantava de madrugava e despertava os habitantes vizinhos da Rua Miguel Bombarda, no Porto. De tanto o ouirvem que o quiseram ver e deixar-se surpreender. O galo vivia nas traseiras de um prédio, sózinho, num jardim maltratado, onde apenas cresciam ervas, que com o tempo esconderam o galo, de tão grandes que estavam.
Muitos questionavam o porquê daquela cena, um galo a viver só, entre ervas selvagens, no meio de um bairro urbano. Era triste ver o galo assim. Nem uma gaivota paráva perto dele para lhe fazer companhia e também não havia sinais de vida humana naquele espaço, que até aparentava alguma modernidade. Galinhas, nem vê-las…
Há algumas semanas que não se ouve o galo. Tentou-se encontrá-lo no meio das ervas já enormes, mas nada. Há quem diga ter visto uma mancha vermelha, da cor da crista do galo e ache que ele morreu à fome, sendo agora um cadáver em decomposição.
“Não pode ser”, insistia outro vizinho. Por que razão o iriam abandonar e deixá-lo morrer com tamanha crueldade. A maioria era da opinião de que o galo já era, tendo um final glorioso num churrasco animado e delicioso. No entanto, ninguém vira o galo a ser apanhado e decapitado em momento algum. Daí o espanto ser unânime. Como terá morrido o galo? Se é que morreu… ou como poderá ter sobrevivido?