Eu faço qualquer coisa… não sabia o que lhe dizer mais. As palavras estavam esgotadas e lá dentro havia um vazio. Um vazio de vida, de felicidade. Era a desilusão, a dureza daquilo a que chamam vida e a perspectiva das coisas ainda serem piores do pior que vejo e sinto.
Mas fazia qualquer coisa porque já não tinha nada a perder nem a própria vida. Fui e fiz tudo o que podia fazer. Não foi preciso fazer qualquer coisa. Porque não valia a pena. Era uma rua sem saída e a única coisa a fazer era inversão de marcha e voltar ao ponto em que estava antes de me pôr a dar voltas.
E reparei que ando sempre às voltas embora ache que caminho sempre para a frente. E Talvez caminhe. Mesmo de noite e com luz. E sem precisar ir ao fundo a noite estava bonita e pouco fria. Muito agradável. Apetecia-me ficar por ali, parar nos cafés ou ficar-me pelas esplanadas a beber água com gás. Havia gente e movimento. Apetecia viver e chorar por mais.
Foi assim que descobri que havia mais para além da noite escura, da lua e das estrelas. Havia mais do que pavor das ruas desertas. Havia luz, havia alegria, havia força. A noite afinal era poderosa e cheia de magia. Rendi-me e confessei que se o meu coração ainda funcionasse era bem capaz de me apaixonar pela vida….